{"id":315,"date":"2024-07-16T11:22:54","date_gmt":"2024-07-16T14:22:54","guid":{"rendered":"https:\/\/socorrocalhau.com.br\/?p=315"},"modified":"2024-07-16T11:50:35","modified_gmt":"2024-07-16T14:50:35","slug":"a-escrita-e-o-desvelamento-da-realidade-vivida-nos-presidios-brasileiros-uma-leitura-amorosa-do-livro-alem-das-grades-de-samuel-lourenco-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/socorrocalhau.com.br\/?p=315","title":{"rendered":"A escrita e o desvelamento da realidade vivida nos pres\u00eddios brasileiros: uma leitura amorosa do livro Al\u00e9m das Grades, de Samuel Louren\u00e7o Filho"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.revistas.uneb.br\/index.php\/rbpab\/article\/view\/13775\/9660\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Leia o artigo aqui<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">RESUMO<\/h2>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"622\" height=\"887\" src=\"http:\/\/socorrocalhau.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/cover_issue_647_pt_BR.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-316\" style=\"width:249px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/socorrocalhau.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/cover_issue_647_pt_BR.jpg 622w, https:\/\/socorrocalhau.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/cover_issue_647_pt_BR-210x300.jpg 210w\" sizes=\"(max-width: 622px) 100vw, 622px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Este artigo objetiva compreender como o Estado trata a pessoa privada de liberdade, sob o ponto de vista de um escritor, que viveu no c\u00e1rcere por nove anos. Um mergulho na sua escrita \u00e1cida, sens\u00edvel e reveladora, sobre o tempo em que esteve preso. Fez-se uma leitura cr\u00edtica de&nbsp;<em>Al\u00e9m das grades<\/em>, cr\u00f4nicas de Samuel Louren\u00e7o Filho, que possui um forte tra\u00e7o autobiogr\u00e1fico. Ao longo do trabalho, foi imposs\u00edvel n\u00e3o relacionar as unidades pelas quais o escritor passou com as condi\u00e7\u00f5es vividas pelos africanos escravizados no Brasil. Foram criados dois recortes para reflex\u00e3o: identificar como o Estado trata o apenado e como o autor lidou com seus sentimentos ao longo do cumprimento da sua pena, tendo a escrita como um instrumento de sobreviv\u00eancia, num sistema extremamente racista, injusto e perverso. Os interlocutores desta pesquisa foram bell hooks, pelo vi\u00e9s transgressor; Angela Davis e a obsolesc\u00eancia das pris\u00f5es; Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, pela escreviv\u00eancia; Paulo Freire, pelo esperan\u00e7ar; Escravid\u00e3o I e II, de Laurentino Gomes; Michel Foucault, Giles Deleuze; dentre outros. O sistema prisional brasileiro \u00e9 racista, cruel e ineficiente, no que deveria ser o seu trabalho principal: preservar a integridade f\u00edsica e emocional desses sujeitos e promover a (re) integra\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">REFER\u00caNCIAS<\/h2>\n\n\n\n<p>ABRAH\u00c3O.M.H.B. (Org.). Pesquisa (auto) biogr\u00e1fica: teoria e empiria. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>BARATTA, Alessandro. Criminologia Cr\u00edtica e Cr\u00edtica do Direito Penal \u2013 Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 sociologia do Direito Penal. Rio de Janeiro: Editora Revan \u2013 Instituto Carioca de Criminologia, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o. 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>BEZERRA, A\u00edda. Divaga\u00e7\u00f5es Sobre a Paix\u00e3o de Ler e Escrever. In: Cadernos Bam. SAP\u00c9\/ DPH\/ FNDE\/ SEF\/ MEC. 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>BECKER, Haward Saul. Outsiders \u2013 Estudos da Sociologia do desvio. Rio de Janeiro: Zahar, 2008<\/p>\n\n\n\n<p>BORGES, Juliana. Pris\u00f5es: espelhos de n\u00f3s. S\u00e3o Paulo: Todavia, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>BRUM, Eliane. Exaustos-e-correndo-dopados. El pa\u00eds. Bras\u00edlia, 04 de julho de 2016. Coluna. Dispon\u00edvel em:&lt;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/07\/04\/politica\/1467642464_246482.html\">https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/07\/04\/politica\/1467642464_246482.html<\/a>&gt;. Acesso em: 26 de fevereiro de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>CANDIDO, Antonio. Direitos Humanos e literatura. In: A.C.R. Fester (Org.) Direitos humanos e Literatura. Ed. Brasiliense, 1989.<\/p>\n\n\n\n<p>DAVIS, Angela. Estar\u00e3o as pris\u00f5es obsoletas? Rio de Janeiro: Difel. 2003.<\/p>\n\n\n\n<p>DELEUZE Gilles e PARNET Claire. Di\u00e1logos. S\u00e3o Paulo: Editora Escuta. 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>DELEUZE, Gilles. Conversa\u00e7\u00f5es. S\u00e3o Paulo: Editora 34. 2004<\/p>\n\n\n\n<p>DUARTE, const\u00e2ncia Lima e NUNES, Isabella Rosado. Escreviv\u00eancia: a escrita de n\u00f3s \u2013 reflex\u00f5es sobre a obra de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo. Rio de Janeiro: Ita\u00fa Cultural, 2020<\/p>\n\n\n\n<p>FOUCAULT, Michel. Microf\u00edsica do poder. Tradu\u00e7\u00e3o de Roberto Machado.Rio de janeiro: Editora Graal, 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>________, Michel. Vigiar e Punir. Editora Vozes. Petropolis, 1987.<\/p>\n\n\n\n<p>FREIRE, Paulo. Educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica de liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperan\u00e7a: um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.<\/p>\n\n\n\n<p>FURLAN, BRIGHENTE, Miriam e PERI, Mesquida. Michel Foucault: Corpos D\u00f3ceis e Disciplinados nas Institui\u00e7\u00f5es Escolares. Curitiba:Anais do X Congresso Nacional de Educa\u00e7\u00e3o \u2013EDUCERE.2011.<\/p>\n\n\n\n<p>GOFFMAN, Irving. Estigma \u2013 notas sobre a manipula\u00e7\u00e3o de Identidade Deteriorada. Rio de Janeiro: Editora Guanabara S.A., 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>GOMES, Laurentino. Escravid\u00e3o \u2013 Volume II. Rio de janeiro: Globo livros, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>HAN, Byung-Chu. Sociedade do cansa\u00e7o. Petr\u00f3polis, RJ: Editora Vozes, 2015.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RESUMO Este artigo objetiva compreender como o Estado trata a pessoa privada de liberdade, sob o ponto de vista de um escritor, que viveu no c\u00e1rcere por nove anos. Um mergulho na sua escrita \u00e1cida, sens\u00edvel e reveladora, sobre o tempo em que esteve preso. Fez-se uma leitura cr\u00edtica de&nbsp;Al\u00e9m das grades, cr\u00f4nicas de Samuel Louren\u00e7o Filho, que possui um forte tra\u00e7o autobiogr\u00e1fico. Ao longo do trabalho, foi imposs\u00edvel n\u00e3o relacionar as unidades pelas quais o escritor passou com as condi\u00e7\u00f5es vividas pelos africanos escravizados no Brasil. Foram criados dois recortes para reflex\u00e3o: identificar como o Estado trata o apenado e como o autor lidou com seus sentimentos ao longo do cumprimento da sua pena, tendo a escrita como um instrumento de sobreviv\u00eancia, num sistema extremamente racista, injusto e perverso. Os interlocutores desta pesquisa foram bell hooks, pelo vi\u00e9s transgressor; Angela Davis e a obsolesc\u00eancia das pris\u00f5es; Concei\u00e7\u00e3o Evaristo, pela escreviv\u00eancia; Paulo Freire, pelo esperan\u00e7ar; Escravid\u00e3o I e II, de Laurentino Gomes; Michel Foucault, Giles Deleuze; dentre outros. O sistema prisional brasileiro \u00e9 racista, cruel e ineficiente, no que deveria ser o seu trabalho principal: preservar a integridade f\u00edsica e emocional desses sujeitos e promover a (re) integra\u00e7\u00e3o social. REFER\u00caNCIAS ABRAH\u00c3O.M.H.B. (Org.). Pesquisa (auto) biogr\u00e1fica: teoria e empiria. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004. BARATTA, Alessandro. Criminologia Cr\u00edtica e Cr\u00edtica do Direito Penal \u2013 Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 sociologia do Direito Penal. Rio de Janeiro: Editora Revan \u2013 Instituto Carioca de Criminologia, 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o. 2002. BEZERRA, A\u00edda. Divaga\u00e7\u00f5es Sobre a Paix\u00e3o de Ler e Escrever. In: Cadernos Bam. SAP\u00c9\/ DPH\/ FNDE\/ SEF\/ MEC. 1999. BECKER, Haward Saul. Outsiders \u2013 Estudos da Sociologia do desvio. Rio de Janeiro: Zahar, 2008 BORGES, Juliana. Pris\u00f5es: espelhos de n\u00f3s. S\u00e3o Paulo: Todavia, 2020. BRUM, Eliane. Exaustos-e-correndo-dopados. El pa\u00eds. Bras\u00edlia, 04 de julho de 2016. Coluna. Dispon\u00edvel em:&lt;https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/07\/04\/politica\/1467642464_246482.html&gt;. Acesso em: 26 de fevereiro de 2022. CANDIDO, Antonio. Direitos Humanos e literatura. In: A.C.R. Fester (Org.) Direitos humanos e Literatura. Ed. Brasiliense, 1989. DAVIS, Angela. Estar\u00e3o as pris\u00f5es obsoletas? Rio de Janeiro: Difel. 2003. DELEUZE Gilles e PARNET Claire. Di\u00e1logos. S\u00e3o Paulo: Editora Escuta. 2002. DELEUZE, Gilles. Conversa\u00e7\u00f5es. S\u00e3o Paulo: Editora 34. 2004 DUARTE, const\u00e2ncia Lima e NUNES, Isabella Rosado. Escreviv\u00eancia: a escrita de n\u00f3s \u2013 reflex\u00f5es sobre a obra de Concei\u00e7\u00e3o Evaristo. Rio de Janeiro: Ita\u00fa Cultural, 2020 FOUCAULT, Michel. Microf\u00edsica do poder. Tradu\u00e7\u00e3o de Roberto Machado.Rio de janeiro: Editora Graal, 1996. ________, Michel. Vigiar e Punir. Editora Vozes. Petropolis, 1987. FREIRE, Paulo. Educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica de liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2021. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperan\u00e7a: um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. FURLAN, BRIGHENTE, Miriam e PERI, Mesquida. Michel Foucault: Corpos D\u00f3ceis e Disciplinados nas Institui\u00e7\u00f5es Escolares. Curitiba:Anais do X Congresso Nacional de Educa\u00e7\u00e3o \u2013EDUCERE.2011. GOFFMAN, Irving. Estigma \u2013 notas sobre a manipula\u00e7\u00e3o de Identidade Deteriorada. Rio de Janeiro: Editora Guanabara S.A., 1988. GOMES, Laurentino. Escravid\u00e3o \u2013 Volume II. Rio de janeiro: Globo livros, 2021. HAN, Byung-Chu. Sociedade do cansa\u00e7o. 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